Paróquia de Laguna
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Quaresma no Ano Mariano

Dom João Francisco Salm (10/03/2017)

Neste ano celebram-se dois Jubileus Marianos: os cem anos das aparições de Nossa Senhora em Fátima, Portugal, e os trezentos anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida no rio Paraíba do Sul, São Paulo.

Os Papas nos ajudam a perceber o significado e a importância de Aparecida: em 1930, Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil. E Paulo VI, em 1967, lhe ofertou a rosa de ouro.

São João Paulo II, ao visitar o Santuário Nacional, em 1980, afirmou: “Aqui pulsa, há mais de dois séculos, o coração católico do Brasil. [...], Aparecida é [...] a capital espiritual do Brasil”. Bento XVI, por ocasião da V Conferência, disse: “O Papa veio a Aparecida com viva alegria para vos dizer primeiramente: Permanecei na escola de Maria. Inspirai-vos nos seus ensinamentos, procurai acolher e guardar dentro do coração as luzes que Ela, por mandato divino, vos envia lá do alto”. E o Papa Francisco, em 2013: “Em Aparecida, Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe! [...]. Há algo de perene para aprender sobre Deus e sobre a Igreja, em Aparecida; um ensinamento, que nem a Igreja no Brasil nem o próprio Brasil devem esquecer”.

Para refletir sobre tudo isso, aprofundar a compreensão, “celebrar, fazer memória e agradecer” esse dom imenso que é Aparecida, a Conferência Nacional dos Bispos (CNBB) instituiu o Ano Nacional Mariano: iniciou no dia 12 de outubro do ano passado e se estenderá até o dia 11 de outubro próximo.

Esta Quaresma, que já é um “tempo oportuno” da ação amorosa de Deus em nossa vida, está, também, mergulhada no Ano Mariano e, por isso, marcada pela presença luminosa de Maria que nos manda “fazer o que o Senhor diz” (Jo 2,5). E Ele diz: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).

Quem, então, se dispõe às práticas quaresmais estimulado pelo horizonte de esperança e de vida que é a Páscoa, encontra na Campanha da Fraternidade um itinerário de conversão inspirado no cultivo e no cuidado comunitário e social. Afinal, seguindo a pessoa e a prática de Jesus, o seu Evangelho, nossa vida se transforma. Transformam-se nosso modo de pensar, nossa escala de valores, nossas relações, nossa visão de mundo, nossos ideais e nosso agir; passamos a entender que somos responsáveis por nós mesmos, pelos nossos irmãos e irmãos de longe e de perto, pela vida em sociedade, pela natureza inteira e, portanto, pela preservação das condições de vida no Planeta Terra. A conversão só será verdadeira se atingir todas as nossas relações: tudo precisa ser harmonizado tendo Deus como referência.

O Tempo Litúrgico da Quaresma-Páscoa, o apelo da Campanha da Fraternidade e as motivações do Ano Nacional Mariano são bela oportunidade para a reflexão pessoal e em grupo, para a oração e iniciativas que ajudem a melhorar a convivência nesta nossa “Casa Comum”.

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