Paróquia de Laguna
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Quaresma e Campanha da Fraternidade

Pe. Ademir Eing (01/03/2017)

A quaresma é um grande retiro espiritual, no qual a Palavra de Deus nos questiona, nos instiga profundamente, mostrando para cada um de nós o caminho da conversão, a mudança que precisamos fazer em nossa vida. (Importância de participar assídua e ativamente das celebrações eucarística e da palavra)

Neste tempo, a oração mais intensa (novenas, via-sacra, oração individual), que nos aproxima de Deus; a esmola como exercício da caridade fraterna e do desapego das coisas (desfazer-se daquilo que há tempo não é usado); e o jejum como sacrifício que educa para a renúncia de tudo que nos afasta de Deus são os três grandes instrumentos indicados por Jesus para que a conversão, a mudança de vida, aconteça. (O papa Francisco sugere que o jejum não consista só da renúncia de coisas gostosas e agradáveis, mas também do propósito de coisas boas: sorrir, agradecer, expressar amor, saudar, ouvir, ajudar, animar, elogiar, corrigir fraternalmente, telefonar para alguém distante, visitar).

Neste grande retiro espiritual de 40 dias, um momento particularmente forte é a celebração do Sacramento da Penitência. Depois de iluminados pela Palavra de Deus e conscientes daquilo que precisa mudar em nós, a confissão de nossos pecados é o momento de nos lançarmos nos braços do Pai misericordioso para que nos regenere com a graça do perdão e de uma vida nova.

E onde entra a Campanha da Fraternidade nisto tudo?

É que o mal que persiste teimosamente em nós, mal do qual devemos nos conscientizar e nos deixar libertar, não prejudica somente a nós mesmos, às nossas famílias, às pessoas mais próximas. Este mal afeta também e gravemente a comunidade-Igreja, a sociedade inteira e inclusive a criação de Deus, a natureza da qual somos parte.

Neste ano, a CF quer nos conscientizar da urgência de uma conversão, de uma profunda mudança no nosso modo de nos relacionar com a natureza, particularmente com o bioma mata atlântica no qual vivemos, do qual fazemos parte e que já destruímos quase totalmente. (Uma das coisas que mais me sensibiliza, me comove mesmo, é quando ouço as confissões de crianças que pedem perdão por desrespeitar a natureza. As novas gerações graças a Deus e aos esforços de seus educadores têm uma sensibilidade ecológica muito maior que nossas gerações).

Só seremos capazes de cultivar e guardar nosso bioma se aprendermos a admirá-lo, se nos deixarmos fascinar por sua beleza e harmonia. Para isso é preciso que o conheçamos, pois “cultivar e guardar nasce da admiração!” (Texto-base, 10).

É isso que “a campanha deseja, antes de tudo, levar à admiração para que todo o cristão seja um cultivador e guardador da obra criada” pelo Senhor, nosso Deus e Pai (Texto-base, 10).

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