Paróquia de Laguna
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Ainda uma Palavra

Dom João Francisco Salm (03/11/2016)

A chegada do mês de Novembro aviva inevitavelmente em nós sentimentos de saudades de parentes e de muitas outras pessoas queridas que marcaram nossas vidas e que um dia vimos partir. Já não mais podemos vê-las em nosso meio como outrora. O Dia de Finados é carregado de emoções, e porque somos cristãos, também de esperança: na Liturgia de todos os Fiéis Defuntos celebramos a vitória da vida sobre a morte. A Ressurreição de Jesus garante nossa Vida Futura.

 A Solenidade de Todos os Santos e Santas de Deus nos recorda que a santidade é a vocação de todos nós que recebemos o batismo. Enquanto peregrinamos neste mundo, santificar-nos é nosso programa ou projeto de vida. A vida é nossa chance. Fomos chamados a fazer dela “plenitude de vida cristã” tornando-nos “perfeitos na caridade”. Nesse dia celebramos todas as irmãs e irmãos nossos que por aqui passaram – familiares, amigos e outros – e que já ouviram de Jesus aquelas ditosas palavras: “Vinde, benditos do meu Pai!...” (Mt 25,34).

Tivemos a graça de viver o Ano Santo do Jubileu da Misericórdia. Conforme determinou o Papa Francisco, seu enceramento se celebra neste dia 20 de novembro, dia de Jesus Cristo, Rei do Universo. Ele é o rosto revelador da Misericórdia do Pai e o vitorioso sobre o pecado e a morte. Seu testemunho e palavras hão de ser a lei de misericórdia a reinar em nossos corações.

Na Solenidade de Cristo Rei celebra-se o fim do Ano Litúrgico. No domingo seguinte inicia o Advento. Os ares de Natal que se sentem já em novembro, vão logo transformar-se em caminho concreto para quem deseja ir ao encontro do Senhor que vem. Por isso, este mês é tempo para se providenciar subsídios, os chamados livrinhos de Natal para Grupos de Famílias. Não só. Também é preciso planejar: formar grupos motivando pessoas a participarem, prever os locais ou casas onde haverá os encontros, definir os dias e a hora. Quanto mais dedicação houver na preparação dos Encontros, mais frutos aparecerão com a chegada do Natal. Maior será a certeza de realizar um encontro pessoal com Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor.

Mas, desejo dizer ainda uma palavra em relação ao domingo, dia 16 de novembro, quando pessoas e famílias de Tubarão e Municípios vizinhos sofreram danos e perdas com a fúria dos ventos e a chuva. A dor maior vem da morte de Maria Clara. E quem mais sofre com isso, não há dúvidas, são os familiares e amigos, entre eles, certamente muitas crianças. Na oração, a nossa solidariedade.

Pode nos ajudar a lição da figura bíblica de Jó, um homem piedoso, bom, generoso e cheio de “temor de Deus”. Possuía muitos bens e uma família numerosa. Mas, repentinamente, foi atingido por um vendaval de desgraças que lhe rouba a riqueza, a família e a própria saúde. Privado de tudo o que possuía, contagiado por uma doença horrível, não faltava quem o acusasse de ser ele mesmo o culpado de tanto infortúnio. E que por isso Deus o castigara.

Jó não se conforma e enfrenta a Deus. Revolta-se contra Ele e ao mesmo tempo confia nele. Deus então o enfrenta e o coloca no lugar de criatura, com seus limites e sua finitude; faz Jó entender que só Deus conhece as leis que governam o universo e a vida, e mostra a ele o quanto se preocupa com cada criatura. Jó descobre a onipotência de Deus, um Deus desconcertante e incompreensível que vai infinitamente além dos esquemas humanos; mas também descobre que Deus ama com amor de Pai a cada uma das suas criaturas. Jó acaba por reconhecer sua pequenez, seus limites e finitude; percebeu que não pode julgar Deus, e que é incapaz de entendê-lo.

Jó, então, alcança maturidade: acha o seu lugar, reconhece a transcendência de Deus e o mistério dos seus planos; decide, com humildade e confiança, entregar-se totalmente nas mãos desse Deus, que é incompreensível, mas cheio de amor.

A história da humanidade mostra que o sofrimento é responsável pelos santos, pelos gênios e pelas grandes vidas. Seu maior benefício é o encontro ou reencontro com Deus que é Pai e Amigo.

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