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Vivenciar e anunciar a Misericórdia que restaura

(18/10/2016)

Um conhecido meu levou seu carro ao chapeador para fazer umas “coisinhas” na lataria. O chapeador observou o veículo do cliente e disse “aqui há muito o quê fazer: há sinais de ferrugem e amassados em vários lugares do carro: no assoalho, na lataria, nos para-lamas, no capô... você vai querer fazer tudo ou dar uma ‘tapeada’ ou deixar como está?”

Essa situação é muito mais comum do que se pensa. Mas não é sobre reforma de automóveis que iremos tratar aqui. Em muitos aspectos da vida da gente, vez por outra, se apresentam situações em que precisamos decidir: ou resolvemos ou enrolamos ou ficamos indiferentes.

Neste Ano da Misericórdia, que já expirará no próximo dia 20 de novembro, de muitas formas Deus tem nos convidado a nos permitirmos uma “restauração geral”. E é somente Deus Misericordioso quem pode fazer esta empreitada: pois Ele conhece plenamente o coração humano, sabe de suas possibilidades e tendências, e não se cansa de propor um ‘reparo transformador’.

Não dá pra negar que o homem moderno tem encontrado soluções para muitos problemas: máquinas automotoras e informatizadas que o ajudam nos trabalhos mais pesados e nos de maior precisão; descobertas de novas enfermidades e algumas soluções para elas; avanços tecnológicos em todos os setores da cadeia produtiva...

Também é óbvio que o advento do Terceiro Milênio ainda não trouxe a solução para problemas muitos corriqueiros: doenças antigas que ainda matam (gripe, sarampo, malária, câncer...); desafios da desigualdade social (exclusão, novos párias, refugiados, fome...)...

Mas a grande dor que vem fazendo o homem sofrer é a perda do sentido de viver! Cada vez mais aumenta o número das pessoas que procuram abreviar ou antecipar o fim de suas vidas, ou que vegetam mergulhadas em suas tristezas patológicas. Um desalento tem tomado conta de muitos corações.

Diante desta realidade o Papa Francisco clama e grita: “A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos que se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus renasce sem cessar a alegria!” (Evangelli Gaudium 01). E insiste no convite: “convido todo cristão, em qualquer lugar ou situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo... já que da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído” (EG 03).

É muito fácil perceber que o ser humano está precisando urgentemente de uma “restauração”. Ele anda triste, violento, acuado, pessimista e depositando suas esperanças em futilidades. Tem inventado deuses e religiões que não podem salvá-lo. Tem rejeitado seus filhos e “não chora, nem guarda luto” quando estes morrem. O homem e a mulher hodiernos andam “enferrujados”... morrendo tristemente aos poucos.

Ainda é Francisco quem nos mostra uma luz: “Fomos concebidos no coração de Deus e, por isso, (cita Bento XVI) ‘cada um de nós é o fruto de um pensamento de Deus. Cada um de nós é querido, cada um de nós é amado, cada um de nós é necessário’” (Laudato Si’ 65). E explica: “a existência humana se baseia sobre três relações fundamentais intimamente ligadas: as relações com Deus, com o próximo e com a terra. (...) estas relações romperam-se não só exteriormente, mas dentro de nós... é o pecado” (LS 66).

Diante desta realidade, inspirados pelo Jubileu da Misericórdia, podemos acolher este dom maravilhoso que Deus nos oferece: restauração! É por pura Misericórdia que Ele restaurou inúmeros pecadores das Escrituras: Moisés, Abraão, Jacó, Salomão, Davi, Jonas, os apóstolos, Madalena, o bom ladrão... e toda a humanidade, inclusive eu e você!

Deixemos o Espírito Santo agir em nós! É como cantam nossos jovens naquela canção da Banda Vida Reluz: “Cristo quer fazer em mim uma obra nova e o meu coração quer modificar”! Portanto, com relação à sua vida e ao mundo, como responder à pergunta do chapeador: “vai querer ‘restaurar’ tudo ou dar uma ‘tapeada’ ou deixar como está”?

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