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Quando um bem está em jogo, a indiferença é pecado de omissão

(19/09/2016)

Nossa Diocese de Tubarão se estende por dezenove Municípios. Daqui a menos de um mês, em turno único, no dia dois de Outubro, estaremos elegendo novos Prefeitos, Vice-Prefeitos e Vereadores. Isto significa que nos próximos dias teremos grande agitação político-eleitoral. Nossa consciência cristã nos diz que não podemos ficar indiferentes. A indiferença e a omissão diante de assuntos tão graves como o do cuidado com o bem comum seriam clamorosa contradição com o espírito do Evangelho.

Ninguém de nós deveria ter dúvidas a respeito do dever e do direito de envolver-se, de forma honesta e responsável, na política. Por exemplo: informar-se a respeito da política em geral, das eleições que irão acontecer, dos cargos públicos e dos candidatos e de seus partidos; despertar e formar a sensibilidade social própria e, na medida do possível, favorecer a dos outros; candidatar-se a cargos, se for o caso, e votar; estar atento para não deixar-se levar por propaganda enganosa; conhecer os programas dos candidatos; formar uma opinião pessoal e não dar o voto em troca de nada e menos ainda, de quaisquer tipos de favores mesquinhos; não corromper nem deixar-se corromper vendendo o voto; desenvolver uma atitude pessoal, que revele maturidade e superação de paixões que cegam.

O Papa tem nos lembrado que a política é uma das formas mais altas de caridade porque busca o bem comum. É verdade que isso supõe honestidade e responsabilidade por parte de todos, candidatos e eleitores. É importante, então, que saibamos dar incentivo e apoio aos candidatos que reconhecemos idôneos aos cargos que pleiteiam. Até mesmo, nossas comunidades cristãs católicas também revelariam grande maturidade se fizessem surgir candidatos e candidatas com as virtudes necessárias para exercer cargos públicos. O que seria da sociedade se não tivéssemos quem se dispusesse a prestar o serviço de governar?

O que se quer, na verdade, é “política” e não aquela “politicagem” de espertos ou desonestos que só pensam em interesses pessoais. Desejamos ver empossadas e exercendo cargos públicos pessoas familiarizadas com a arte ou a ciência de organizar, dirigir e administrar nossos Municípios. Ao fazerem campanha eleitoral, devem deixar claro o seu compromisso com políticas públicas que defendam e promovam a dignidade da vida em todas as suas etapas. Aqueles cidadãos e cidadãs mais necessitados, como os pobres, os doentes, os idosos, as crianças, os jovens, os portadores de deficiência e outros devem estar incluídos. O bem-estar é um direito de todos.

Uma campanha eleitoral deveria ser uma verdadeira festa, marcada pela alegria e pela esperança de dias cada vez melhores. Para isso, virtudes como participação consciente, debate de alto nível, bom senso, racionalidade, maturidade, serenidade, respeito e equilíbrio emocional são indispensáveis. Não fazem sentido a difamação, a vingança, as brigas pessoais, a inimizade, a divisão e outros comportamentos de baixo nível. Candidato que não faz campanha honrada e que mostra prazer em destruir a pessoa do adversário será incapaz de honrar o cargo, se for eleito.

Para nós, cristãos, tempo de campanha política terá de ser também um “tempo de oração” suplicante a Deus, para que tenhamos o discernimento – como “Dom do Espírito Santo” – que nos permita fazer a escolha certa na hora de votar.

Dom João Francisco Salm
Bispo Diocesano

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