Paróquia de Laguna
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Fogueira sobre o Monte

(01/06/2018)

- Quando o coração se dilata a boca se abre -

Era assim: ao chegar a um povoado, o mensageiro do Rei acendia uma fogueira num lugar mais elevado e todos sabiam que se tratava de uma notícia importante, que interessava à população inteira.

O espírito cristão das festas juninas, com as fogueiras de São João, celebra o Batista como precursor e anunciador da grande notícia da chegada do Salvador da humanidade. Portanto, o centro dessas festas, quanto ao seu significado mais genuíno, é Jesus Cristo, o Libertador, aquele que veio instaurar uma sociedade de homens e mulheres novos, tornados capazes de um relacionamento novo e identificados com uma atitude de saída de si mesmos, altruístas, voltados para o outro, para além de toda indiferença. A isso somos chamados; é nossa vocação.

No domingo que seguiu Pentecostes, celebramos a nossa fé em Deus que “é amor” (1 Jo 4,8.16), de acordo com o que Jesus Cristo nos deu a conhecer (cf. Mt 28,19). Deus não é uma solidão sem fim, mas uma comunidade de amor, fonte de vida que se doa e se comunica sem nunca se esgotar. Segundo essa imagem de Deus nós fomos criados. A maior prova disso é que somente o amor nos torna felizes porque fomos feitos para viver em relação; para amar e ser amados.

Na quinta-feira, dia de Corpus Christi, celebramos nossa fé e esperança na transformação de tudo e de nós todos naquela realidade nova que é Jesus Cristo ressuscitado e glorioso na Eucaristia. Por isso, este Sacramento é fonte e ápice de nossa vida cristã. É referência, inspiração, caminho e energia para o novo.

O Sagrado Coração de Jesus e a celebração litúrgica de sua Festa também marcam o mês de junho. Contemplar este Coração é o mesmo que mergulhar na profundidade do mistério e do significado do “centro divino-humano da Pessoa de Cristo” (Bento XVI), e tirar dali consequências para a prática daquelas relações novas e daqueles novos modos de viver, que caracterizam o mundo novo que é o Reino de Jesus: Reino de justiça, amor e paz.

No Domingo de Pentecostes celebramos o envio diocesano para nossas Santas Missões Populares; uma experiência de alegria e de esperança! “Em saída”, partimos levando conosco a “chama missionária”, acesa no Círio Pascal. Assim, Cristo nos acompanhou para nossas paróquias, para nossas comunidades e nossas famílias, com aquele desejo de fazer arder por toda parte e na vida particular de cada um e de cada uma o fogo que Ele veio trazer sobre a terra (cf. Lc 12,49).

A chama, símbolo do nosso ardor missionário – quando o coração arde os pés caminham – aceso no encontro com a Pessoa de Jesus Cristo, ilumina como fogueira sobre o monte, e aquece o coração que, então, se dilata e faz abrir a boca para anunciar Jesus, sua Pessoa, sua Palavra e seu Reino.

Nesses dias, que às vezes parecem tão acinzentados, mantenhamos acesa esta chama e com ela incendiemos nossas famílias e comunidades para que sejam luz no mundo (cf. Mt 5,14) e testemunhas de uma realidade nova.

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